O efeito e a causa

JOSÉ CARLOS DE AZEVEDO

MUITAS PESSOAS sacrificam a própria vida para salvar a de outras. Há os que querem extinguir a humanidade para salvar a natureza: os integrantes do Voluntary Human Extinction Movement e do Gaia Libaration Front, por exemplo.
E há os pseudo-"ambientalistas" arautos do apocalipse, que querem levar à miséria povos e nações para ampliar as suas riquezas. Tudo justifica preservar a natureza, ação fundamentada em verdades científicas. Mas, sob o seu manto, surgiram aproveitadores que iludem incautos em proveito próprio e os alarmam com os danos do "aquecimento global", que nada tem a ver com conservação da natureza.

Eles sofrem descrédito crescente.

Desapareceu Al Gore, sócio de empresa de crédito de carbono e de outra de geração de energia alternativa. O mesmo fez M. Strong, secretário-geral da Conferência sobre o Meio Ambiente, realizada no Rio em 1992.
Ficou quieto o presidente da ONU, Ban Ki-moon, que determinou a transformação da Amazônia em savana em 80 anos e calou-se seu burocrata Jean Ziegler, que disse ser "crime contra a humanidade" incentivar os biocombustíveis. O mesmo disse Ivo de Boer, presidente da Comissão do Clima da ONU, referindo-se aos combustíveis fósseis. Ambos não disseram o que fará a humanidade sem esses combustíveis.

Há motivos para essas pessoas procederem assim, pois a algaravia do aquecimento foi tão estridente e irracional que gerou contestações científicas que a invalidaram. Por exemplo, é falácia lógica atribuir relação causal entre dois eventos apenas porque um deles antecedeu o outro ("post hoc ergo propter hoc"). O que dizem os arautos do fim do mundo, porém, nem é falácia, é irracionalidade, porque não há fato antecedente causador de outro que o segue.
É irracional dizer que o CO2 causa o aquecimento da Terra (de 0,6 graus Celsius no século 20) porque o aumento da sua temperatura antecede o do CO2 em milhares de anos, um fato comprovado.

Essa irracionalidade fez o inglês Stuart Dimmock, motorista de caminhão, acionar o Judiciário para impedir a distribuição do filme de Al Gore nas escolas por conter erros graves. A Justiça britânica, em 10/10/07, reconheceu 12 erros -atribuir ao CO2 o aumento da temperatura entre eles.
Apesar dos US$ 50 bilhões que IPCC e adeptos consumiram, eles nada comprovaram sobre a influência do CO2. Falam em indícios, vestígios, impressões, sinais, modelos e prognósticos sobre o que ocorrerá em cem anos, quando nenhum de nós estará vivo para conferir.

As "projeções climáticas por computador" são falhas, os modelos climáticos são incompletos, não incluem fenômenos físicos importantes e a teoria matemática está errada.
Por curiosidade, lembro que a equação fundamental que usam, de Navier Stokes, sobre o movimento de fluidos e gases, está incluída no rol das sete questões do milênio sugeridas pelo Clay Mathematics Institute, que dará US$ 1 milhão a quem provar que ela tem ou não solução.

A irracionalidade dos alarmistas é tanta que desconhecem os estudos científicos recentes sobre o clima, publicados nas mais importantes revistas de geociências, física e geofísica, nem sabem que o Cern consorciou-se a mais de 50 universidades e institutos de pesquisas norte-americanos, europeus e russos para dar seqüência ao que foi comprovado na Dinamarca sobre a preponderância do Sol e das radiações cósmicas no clima. Tampouco parecem conhecer estudos sobre as limitações da previsão climática, por exemplo, o clássico de E. N. Lorenz (falecido em 16/4/ 08), de 1972, com o sugestivo título "Predictability: Does the Flap of a Butterfly's Wings in Brazil Set Off a Tornado in Texas?", sobre o efeito da asa de uma borboleta no Brasil em um furacão no Texas...

Os adeptos da versão irracional do "CO2 antropogênico", aí incluídos os poetas parnasianos, que ofendem e ameaçam pessoas, fazem afirmações irracionais e agem como os "panzergrenadier" e os "Hitler Jugen", deveriam estudar, pelo menos, os argumentos de Wiener, Zichichi, Von Neumann e Lorenz sobre o clima e se lembrar de que crime contra a humanidade é gastar US$ 50 bilhões e não chegar a nenhuma conclusão. E que esse dinheiro bastaria para exterminar a Aids, a malária e livrar milhares de mulheres e crianças da morte por inanição em países miseráveis.

Querem o IPCC "et alii" limitar o aumento da temperatura na Terra em uns dois graus Celsius até o ano 2100, e isso custará trilhões de dólares. Se gastarem tal quantia e nada acontecer, ficará por isso mesmo. Se não gastarem e a temperatura subir os dois graus, haverá mais alimentos, porque o CO2 é essencial à vida na Terra, ao crescimento das plantas. É questão de opção.

JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA AZEVEDO , 76, é doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA). Foi reitor da UnB (Universidade de Brasília)



Global Exchange